Como é ser FM em uma startup

Juliana Dias fala sobre o seu trabalho na 99Táxi e de que forma a cultura da empresa pode ajudar na motivação da equipe

Com formação em Administração de Empresas, pelo Mackenzie e MBA pelo Insper, Juliana Dias assumiu em março deste ano a área de Facilities & Procurement da 99Táxi, uma das maiores startups da América Latina. São mais de 140 mil taxistas e motoristas cadastrados e atuação em cinco centros urbanos: São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador e Belo Horizonte, atendendo cerca de 10 milhões de passageiros.

Na conversa que tivemos com ela, Juliana conta sobre os desafios de atuar como FM em uma startup, as conquistas obtidas e de que forma a cultura da empresa tem sido fundamental para o motivar e engajar a equipe. Confira:

Qual o nome da área de empresa onde atua e para quem se reporta? 

Hoje a área leva o nome de Facilities & Procurement e estamos dentro da estrutura do Financeiro. O ambiente é extremamente dinâmico e vivo, não descarto a possibilidade de ajustarmos o nome da área para refletir novas realidades que virão por aí, como aumento de escopo e novas frentes de trabalho dentro do leque de Facilities Management. 

Quais foram seus maiores desafios quando assumiu a área de Facilities na empresa atual?

Quando assumi a área em março deste ano, havia ainda uma forte herança dos “serviços gerais”, isso quer dizer que a área de Facilities também era o Departamento Pessoal, o TI, o Financeiro onde as pessoas pediam reembolsos e a área de Procurement (ou Compras) passava grande parte do tempo atrás de três cotações e fechando propostas pontuais, sem BID para atender escala, sem procedimentos e sem estratégia clara de Sourcing. Desenvolver uma área fortalecida no que de melhor sabemos fazer, integrar pessoas e processos ao Workplace, engajar os melhores profissionais e montar um time campeão, foi o principal grande desafio. A 99 vem crescendo muito e como sempre comentamos, vivemos em dog years, ou seja 7 anos em 1. Ajustar o passo e fazer entregas ágeis e compatíveis com o momento da empresa e do mercado e priorizar de maneira correta para atender este crescimento foi o segundo grande desafio.

Fale um pouco sobre a implantação de projetos que desenvolveu e que contribuíram para redução de custos ou melhoria na qualidade dos serviços ou que pretende desenvolver neste ano.

O primeiro importante projeto foi trazer mais funcionalidade e aproveitamento ao Campus atual da 99. O escopo era de média complexidade, havia um problema de acústica que precisava ser resolvido e de desconforto térmico na área de refeição que já vinha incomodando os 99ers há algum tempo, portanto, este projeto não podia esperar mais. Após a definição da abrangência das intervenções, retalhamos o escopo em várias entregas, ou seja, toda a semana entregávamos alguma melhoria no Campus e todos acompanhavam essa transformação de maneira muito viva, alguns confessaram ficar ansiosos pela segunda-feira e chegar ao escritório e descobrir o que havia mudado. Foi super interativo.

Fizemos o primeiro treinamento de evacuação prático com uma adesão impressionante, despertando nos 99ers uma consciência sobre riscos no ambiente de trabalho. Todas as nossas ações estão apoiadas nos valores da empresa, o que nos assegura sucesso até mesmo nas ações menos populares.  

Ainda esse ano vamos entregar uma casa nova na capital para abrigar a expansão do nosso Head Quarters. O engajamento dos 99ers tem feito a diferença no processo de conceituação do novo espaço. 

Como concilia vida profissional e pessoal?

O mercado de trabalho adora usar o termo em inglês, Work Life Balance, que traduzindo, seria o equilíbrio entre a vida pessoal e a vida profissional. Bom, eu gosto de trocar o equilíbrio pela integração, Work Life Integration, ou seja, vida profissional e pessoal integradas o que significa que está tudo bem eu trabalhar até as 20h/ 21h porque tenho que entregar determinado trabalho, ou ir ao escritório no sábado pois tem aquela parada elétrica anual, mas, não abro mão de fazer as minhas atividades físicas pela manhã, que eu adoro; um almoço tranquilo de uma hora inteirinha mastigando direito e sentindo o sabor da comida e uma pausa entre os meus e-mails para conversar com um colega sobre assuntos aleatórios, mas que trazem ótimos benefícios sociais.

Apoio e dou valor cada vez mais a ambientes e culturas que fomentam o funcionário ser quem é, ter qualidade de vida fora ou dentro do escritório e falar abertamente sobre sua vida pessoal, seus hobbies e preferências, sem tabus. 

Também acredito que é através das ações de Facilities Management que a relação do profissional com o ambiente de trabalho pode ser mais humanizada.

Como você vê o crescimento do mercado de Facilities no Brasil?

Ao meu ver a profissão de FM está se tornando mais relevante nas organizações. De startups a empresas com tradição milenar, todas estão buscando por Facilities Management, mesmo que ainda não saibam. 

Se é governança que a empresa busca, ela busca FM!

Se é hospitalidade no ambiente de escritório, esta empresa está buscando FM!

Se é confiabilidade dos sistemas e segurança para operar, está falando de FM!

Como plus, entendo a função de FM valiosa em todas as fases do negócio, na expansão, na retração ou quando a organização está estabilizada e quer trazer inovação e notoriedade.

Quais competências você acredita que sejam essenciais para ser um bom Facility Manager? 

As competências técnicas e gerenciais são indiscutíveis, mas acredito nas competências comportamentais como diferencial. Adaptabilidade, leveza, humor e muito, mas muito apetite para o negócio é o que diferencia um Facilities Manager do outro. Sobre as competências técnicas essas podem ser aprendidas ou compartilhadas pelas empresas que o FM gerenciará, mas o modo como reagimos e nos comportamos frente as inúmeras adversidades inerentes da nossa rotina e profissão é o que muda o jogo.