A conta poderia fechar se não fosse a torneira aberta

Por Jairo Martins, presidente executivo da FNQ

Vimos as tentativas do governo em estancar a sangria dos cofres públicos buscando novas receitas. O aumento do PIS/COFINS sobre combustíveis foi um tiro pela culatra. O fato é que o poder público enfrenta o pior resultado fiscal desde o início da série em dezembro de 2001 com déficit primário de R$ 19,552 bilhões em junho e as previsões para os próximos meses não são animadoras.

Difícil acreditar que o Brasil, com toda sua extensão territorial, tendo um bom parque industrial, extração, agricultura, clima favorável, uma pirâmide demográfica saudável e energia de todos os tipos ainda nos coloque no ranking dos países com pior produtividade e baixo desempenho no mundo.

A conta poderia fechar se não fossem o custo Brasil, a corrupção, o aparelhamento político, a incompetência gerencial e a mau uso dos recursos. É revoltante ver que mesmo endividada, a estrutura pública ainda continue com suas regalias. Só em 2016, o custo com serviços relacionados a carros oficiais foi de mais de R$ 1,6 bilhão. E pasmem, o Ministério do Meio Ambiente não terá nem metade dessa verba para atuar este ano.

O pior de tudo é que, mesmo no meio desta crise ética e corrupção, mesmo sem dinheiro para as necessidades mais urgentes da população, o Governo Federal compra deputados com liberação de emendas e loteamento de cargos para obtenção de apoio do Parlamento apodrecido, para defender o indefensável.

Dizem que precisamos fechar a torneira, mas vivem na piscina debaixo de sombra e água fresca. Falam sobre a importância das reformas, mas não abandonam a mentalidade anacrônica e paroquial de visitar as cidades natais todos os finais de semana, custeado pelo dinheiro público. Quem trabalha no âmbito federal não deveria ter pensamento e atitudes mais cosmopolitas? Sublata causa tollitur effectus, em latim, “eliminada a causa, desaparece o efeito”, porém, não existe interesse em eliminar esse tipo de causa.

Obviamente, os cortes não são suficientes para cobrir o rombo das contas, mas evitam ações premeditadas como a elevação de tributos - uma receita velha que não funciona mais. Quem vai fechar a torneira primeiro? Onde estão os corajosos que só sabem gritar no curral do plenário e na hora de agir se apequenam?

Este texto foi publicado originalmente no site da Fundação Nacional da Qualidade