Brasil Base Zero - BBZ

Por Jairo Martins, presidente executivo da FNQ

Uma família normal, em qualquer lugar do mundo, no seu dia a dia, precisa manter os gastos da casa sob controle, sem o que não sobreviverá. A primeira coisa a fazer é saber o quanto ganha, ou seja, o que entra no final do mês como fruto do trabalho honesto. Depois, é fazer a conta de tudo o que gasta: água, energia, gás, saúde, educação, aluguel e compras de supermercado. É preciso conhecer as despesas fixas e as variáveis, as necessárias e as desejáveis. Caso as despesas não caibam nas receitas, é preciso priorizar. Não há, portanto, muito segredo na administração de uma casa - é uma relação entre receita e despesa. Eficácia e eficiência são as palavras-chave da economia doméstica, desde que se tenha os princípios éticos como base.

Na gestão de uma empresa, pública ou privada, grande, média, pequena ou micro, de um País, um Estado ou um município devem ser seguidos os mesmos princípios. A boa notícia é que os fundamentos da boa gestão existem, estão disponíveis, são acessíveis e não precisam ser inventados. É uma questão de querer e usar.

Não há como negar que a economia brasileira chegou ao fundo do poço. Por descuido, relaxamento ou incompetência, todos nós - sociedade, empresários, políticos e governantes, sem exceção - levamos o Brasil à bancarrota.

As escolhas erradas que fizemos foram responsáveis por uma crise política sem precedentes. Essa, por sua vez, desencadeou uma crise gerencial, decorrente da falta de competência dos escolhidos, que preferiram, ao invés do trabalho, o caminho da corrupção e do jeitinho para obter os seus propósitos, causando uma incontrolável crise de ética e valores. Tudo isso somado, em uma precipitação de causas e efeitos, foi responsável pela crise econômica em que nos metemos. Hoje somos protagonistas de uma avassaladora crise social, com milhões de desempregados, causada por nós mesmos. E temos a obrigação moral de tirar o nosso País do imbróglio no qual o inserimos. No contraponto de uma recente declaração, “não temos de manter isso, viu?”

Reconhecer os erros já seria um bom começo. Vamos parar de mentir e de nos iludir, de achar que os brasileiros são bobos. Fomos incompetentes, passivos e coniventes com tudo isso. É muito mais fácil construir uma reputação do que recuperá-la - nossos políticos e empresários, corruptos e corruptores, indiciados que o digam.

“Começar de novo”, como bem disse Ivan Lins, “virar a mesa e amanhecer” é o que nos resta a fazer. Precisamos ter a coragem e a determinação de “partir do zero”, nos indignando, rebelando, debatendo e virando o barco para nos livrarmos dos fantasmas, das garras, das esporas e do domínio desses pilantras, malfeitores e incompetentes que hoje estão no poder dos governos e na liderança das organizações.

Como nos ensina a metodologia OBZ (Orçamento Base Zero) do planejamento operacional, vamos recomeçar, nos livrando do triste histórico que infernizou e ainda inferniza as nossas vidas e compromete o nosso futuro. Vamos primeiramente fazer as escolhas certas, reconstruindo o Brasil “de novo” - partindo de um “Brasil Base Zero”. Se já perdemos tudo, dinheiro, credibilidade e amor próprio, precisamos, como missão nacional, resgatar a confiança interna e externa no nosso País, pois essa é a nossa tarefa.   

 

Este texto foi publicado originalmente no site da Fundação Nacional da Qualidade