MEG 21: modelo de referência para um cenário de mudanças exponenciais

Por Marcos Bardagi, gerente de Portfólio, Operações e Conhecimento da FNQ

O Modelo de Excelência da Gestão® (MEG), da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), foi atualizado e está em sua 21ª edição. Fruto do cuidado extremo que temos para mantermos o modelo alinhado com as mudanças de cenário, incorporamos novos processos e aprimoramos antigos, visando sempre a mantê-lo como uma referência para as organizações que buscam o aperfeiçoamento contínuo. Sendo assim, ele surge de um trabalho incansável de nosso núcleo técnico, o qual, por três anos, debruçou-se sobre o desafio de tornar o MEG ainda mais completo.

É útil, porém, lembrarmos que ao falarmos de modelos, e o MEG não foge à regra, estamos nos referindo a algo exemplar, que norteia, que orienta. Não advogamos a mera reprodução ou imitação de referenciais, por entender que cada organização, a partir de suas experiências, seu legado, suas idiossincrasias, deve buscar uma solução única, própria, aquela que melhor satisfará suas exigências e a ajudará na busca de seu propósito. Com esse intuito, o MEG 21 adotou a representação gráfica inspirada no Tangram, que vemos na reprodução clicando aqui.

Tendo o Tangram como inspiração, queremos evidenciar a flexibilidade do modelo, sua pertinência em se moldar ao que cada organização necessita em particular. A forma quadrada é uma orientação para a partida.

No desenvolvimento dos Fundamentos da Excelência - os títulos que vemos nas peças do diagrama, temos verdadeiramente os elementos-chave do modelo, que sintetizam Temas e processos, os quais devem espelhar as práticas relevantes a serem dominadas quando se pretende ter uma gestão capaz de dar respostas condizentes aos desafios atuais do cenário cada vez mais competitivo, imprevisível e dinâmico.

Os Fundamentos da Excelência foram reduzidos à oito, se comparados à 20ª edição do MEG, desdobrando-se diretamente em Temas que, por sua vez, abrem-se em processos para os quais indicamos o ferramental mais adequado.  Eliminou-se o conceito intermediário dos Critérios, mas asseguramos que todo o conteúdo antes ali contemplado passe a fazer parte diretamente nos Fundamentos.

O que assegura o navegar tranquilo no caminho da perenidade é justamente os oito Fundamentos conjugados harmonicamente. Não há um ou outro que se sobressaia. Uma forma de melhor entender os seus objetivos é refletindo sobre sua associação com os tópicos mais urgentes que, certamente, estão na pauta dos gestores hoje em dia.

Fundamentos da Excelência

Tomemos o tema da ética, tão caro no conturbado mundo dos negócios brasileiros. O MEG 21 entende as boas práticas de governança como basilares e, não por outra razão, elencou-a como Tema dentro do Fundamento da Liderança Transformadora. Como tão bem nos exemplifica um dos pilares de qualquer sistema de integridade, o “tone at the top” é condição sine que non para que uma organização incorpore ótimos valores e interaja com seu ecossistema de forma construtiva. É com esse espirito que revisamos profundamente os conteúdos concernentes à gestão de riscos, para que incorporassem as recentes alterações oriundas da nova legislação brasileira anticorrupção, por exemplo.  

Em Adaptabilidade, sintetizamos o valor que representa para a gestão moderna a conscientização e a preparação para gerir a mudança. Neste Fundamento, procuramos medir não só a capacidade de adaptação, como também a sua execução no momento certo, tempestivamente. A rapidez e a flexibilidade são, inequivocamente, conceitos caros em um cenário de ciclos curtos, fato cada vez mais presente em cada vez mais segmentos de negócios.

E com a constante sendo a mudança, cabe-nos criar as condições para que a transformação se dê de maneira consistente. Não pode haver melhoria sem Aprendizado e Inovação e assim é que entendemos esta dinâmica. Por isso, a relevância de dominarmos os processos de aprendizagem organizacional. Organizações altamente adaptáveis são aquelas cuja cultura é porosa, onde cabe a diversidade de pensamento, onde ideias são compartilhadas, onde a ação coletiva é impulsionada. O MEG 21 dedica-se com profundidade a examinar como fazer a gestão do conhecimento, a gestão da inovação e propiciar à empresa o ambiente interno adequado para que floresça o aprendizado e para que surjam inovações.

Outro ponto de destaque na abordagem do MEG 21 é a preocupação com o Desenvolvimento Sustentável. O nosso conceito de excelência serve para a reflexão que queremos trazer a este respeito: entendemos excelência como sendo a compreensão de que a organização é um sistema vivo, integrante de um ecossistema complexo com o qual interage e do qual depende. Que é preciso gerar resultado para todos os integrantes da cadeia de valor, em uma relação de interdependência e cooperação. Essa é a garantia de sustentabilidade e perenidade para a organização. Para isso, ajuda muito, neste momento, o profícuo diálogo que criamos entre os Fundamento e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030 da ONU. Uma relação biunívoca.

Dentro ainda do relacionamento com o ecossistema de qual toda organização faz parte, demos especial atenção às chamadas partes interessadas mais tradicionais, como a força de trabalho, os clientes e os fornecedores. Esses três stakeholders são analisados profundamente no Fundamento Compromisso com as partes interessadas, principalmente, como formalizamos pactos de longo prazo com todos, entendo seus requisitos.

Para a base da pirâmide organizacional, continuamos enfatizando que a robustez de uma gestão voltada a processos é essencial. Vemos processos como os tijolos de uma fundação sólida, capaz de suportar o crescimento pela replicabilidade e segurança na gestão do conhecimento e, ainda, de reagir estruturalmente a crises. Orientação por processos é a base da eficiência e da eficácia de qualquer organização.

Por fim, mas não menos importante, cabe refletir que somente um pensamento elevado deve nortear as organizações diante de tantos desafios. Características presentes no Fundamento denominado Pensamento sistêmico, aquele que compreende e trata as interdependências dos diversos componentes que formam a organização, bem como dessa e o ambiente no qual ela atua. Está voltado para a perenidade, que se ocupa de olhar holisticamente tudo que o cerca, que não é egocêntrico. É o Fundamento que consolida a organização considerada classe mundial.

O MEG 21, estruturado desta forma, coleta, no Fundamento Geração de Resultados, os frutos de uma organização altamente dinâmica, eficaz, ética e, acima de tudo, capaz de produzir valor para todos: a sociedade, seus acionistas e demais membros de sua cadeia de valor. 

O MEG 21 converte-se, assim, no elemento integrador, que consolida todas as iniciativas organizacionais rumo à excelência. O grande guarda-chuva da organização. 

 

 

Este texto foi publicado originalmente no site da Fundação Nacional da Qualidade