Gestão feminina: liderança que transforma

Por Jairo Martins, presidente executivo da FNQ

Recente pesquisa realizada pela McKinsey mostrou que ter mulheres em cargos de liderança aumenta em 21% as chances de uma empresa ter desempenho financeiro acima da média. A Schneider Electric, fabricante de equipamentos eletroeletrônicos, constatou que, internamente, as áreas que apresentam melhores resultados são aquelas com mais diversidade. No Brasil, as mulheres são maioria dos estudantes de ensino superior e representam 60% dos brasileiros que já concluíram uma faculdade. Nos Estados Unidos, há três décadas, as mulheres constituem a maioria dos alunos em universidades.

Analisando esses indicadores e revisitando os Fundamentos da Excelência da Gestão, da FNQ, as constatações são, no mínimo, lógicas e coerentes, não causando grandes surpresas. Sabe-se que as mulheres, pela sua própria natureza, apresentam características que melhor se coadunam com os princípios da boa gestão. Praticam o Pensamento Sistêmico, levando-as a conviver mais facilmente com a pluralidade cultural e com a diversidade, estabelecendo pactos e Compromissos com as Partes Interessadas. Por serem mais assertivas, desenvolvem e conduzem as suas atividades, buscando eficácia e eficiência organizacional, em uma clara Orientação por Processos, sem, no entanto, abrir mão da flexibilidade de mudar em tempo hábil, face à imprevisibilidade dos cenários, promovendo a Adaptabilidade necessária aos novos contextos, incertezas e desafios. Saber lidar com os altos e baixos da trajetória empresarial, sempre buscando atingir novos patamares, avaliando e compartilhando experiências, sem medo de ousar e errar, é um atributo feminino para o Aprendizado Organizacional e Inovação. 

O equilíbrio e a harmonização das diversas atividades associados ao viés multidisciplinar das mulheres - visivelmente pontos fracos da natureza masculina - são condição sine qua non para o Desenvolvimento Sustentável de qualquer organização, que tem o compromisso com a Geração de Valor econômico, ambiental, social e ético para a sociedade. Essas características das mulheres as qualificam como líderes que inspiram pelo exemplo, mobilizando pessoas em torno dos valores, princípios e objetivos da empresa, explorando as potencialidades das culturas presentes, preparando sucessores e pessoas e interagindo com as partes interessadas - esta é a Liderança Transformadora.

Sabemos que, apesar desse cenário de evidências favoráveis, de acordo com a pesquisa conduzida pela consultoria Korn Ferry, nas empresas brasileiras, as mulheres ocupam apenas 16% dos cargos de liderança, acrescendo-se a isso o fato de que as executivas ganham 6,2% menos do que seus correspondentes do sexo masculino.

A boa notícia é que muitas empresas, em nível mundial, estão se mobilizando para mudar essa situação e colocando esse tema nas suas agendas. Não há dúvidas de que a evolução profissional dentro das organizações privadas é sempre meritocrática, mas incluir as mulheres nesse processo já é um grande avanço. Um esforço nesse sentido, que tem sido adotado pelas organizações, é debater o tema com a presença de homens, pois está evidente que estabelecer grupos separatistas - elas e eles - não parece ser o caminho, já que o foco é a diversidade.

Apesar da lentidão dos avanços para uma maior inclusão feminina, neste Dia Internacional da Mulher, 8 de março, devemos comemorar as transformações. Esperamos que esta nova consciência se dissemine, para tornar o mundo mais justo e ético, sem as gritantes desigualdades sociais, e possa promover uma mobilização de todos. Nestes cenários disruptivos e voláteis, não podemos abrir mão do poder catalizador das mulheres, pois elas são a verdadeira Liderança Transformadora que precisamos, para que as transformações aconteçam de fato.

Este texto foi publicado originalmente no site da Fundação Nacional da Qualidade.

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