O País que queremos ou o País que precisamos? Um plano de gestão para o Brasil

Por Jairo Martins, presidente executivo da FNQ

As eleições presidenciais se aproximam. Alianças, conchavos e coligações entre políticos descreditados e a vergonhosa quantidade de 35 partidos, com base no oportunismo, definem os seus candidatos. O povo faz uso das mídias sociais e posta mensagens e imagens sobre “que País que queremos”. Educação, saúde, economia, empregos, bem-estar, segurança, infraestrutura, honestidade e melhor uso dos recursos continuam a ser os itens mais requisitados. Por sorte dos dirigentes atuais, o brasileiro é, por natureza, paciente e resiliente.

Os mais bem informados têm uma visão mais realista do caos no qual estamos inseridos, capazes de perceber a quase falta de opções, pois as alianças focam apenas o poder, ignorando que, quase de forma unânime, os partidos estão podres, infestados de corruptos, indiciados ou condenados pela Lava-Jato, pelo Mensalão e por outras iniciativas saneadoras. O restante dos eleitores, mais de 60 milhões, ainda não sabe em quem votar - é um estado de profunda desesperança. Preocupa-nos, entretanto, que pela falta de informação, rendam-se a discursos populistas e vazios, que foram os responsáveis pela indigência - econômica, social e ética - na qual nos encontramos: os salvadores da Pátria!

Preventivamente, a FNQ, cumprindo o seu propósito de transformar o Brasil pela boa gestão das suas instituições, organizações e empreendimentos, vem prestar dois serviços: alertar a população sobre o que mais afeta o desenvolvimento do País e apresentar um plano de gestão aos candidatos, para que, de uma vez por todas, incorporem esses objetivos aos seus planos de governo e de Estado, priorizando o Brasil e não, a sua avidez de poder e de dinheiro sujo.

Ora, os fundamentos da boa gestão estão disponíveis - não precisam ser reinventados, é questão de querer ou não usá-los: tudo começa com uma Liderança Transformadora (governantes, empresários, gestores e líderes comunitários) que, com um Pensamento Sistêmico (olhando o País como um todo e não apenas as suas paróquias eleitorais e interesses empresariais setoriais e comunitários) e Compromisso com as Partes Interessadas (sociedade, população, empresas, instituições e organizações) busque o Desenvolvimento Sustentável do País (economicamente viável, socialmente justo, ambientalmente responsável e eticamente correto). 

Como os cenários mudam, cada vez mais, de forma imprevisível e acelerada, é imprescindível ter uma clara Orientação por Processos (governos, organizações e empresas bem estruturadas), conduzidos por profissionais capacitados (e não por políticos despreparados e mal intencionados), que sejam capazes de promover a Adaptabilidade (com flexibilidade e sem burocracias procrastinadoras) e as transformações necessárias, na velocidade que a dinâmica do ambiente exige, pondo em prática o Aprendizado Organizacional e a Inovação (com educação e instrução de excelência) para tornar o País competitivo, respeitado e íntegro. Só com trabalho competente conseguiremos a Geração de Valor (as boas entregas geradas com a boa gestão dos abundantes recursos que temos), da qual tanto carecemos.  

Nesse sentido, oferecemos a plataforma listada a seguir, como Plano de Gestão para o Brasil, não apenas aos candidatos, mas, principalmente, aos eleitores, para que exerçam o seu dever de votar em pessoas capazes e sérias, as quais priorizem as nossas urgentes necessidades:        

• Resgate dos valores e da responsabilidade coletiva;

• Alinhamento público – privado, com governança e ética;

• Intolerância à corrupção e à impunidade;

• Redução da complexidade econômica;

• Fim do “coronelismo político-familiar”;

• Despolitização da gestão, da justiça e da governança;

• Educação, saúde e segurança como programas de Estado;

• Infraestrutura como plataforma do desenvolvimento;

• Execução das reformas previdenciária, tributária, administrativa e política;

• Redução do tamanho do Estado;

• Gestão pública competente;

• Modernização industrial, sem protecionismos paralisantes;

• Abertura comercial, exportação e internacionalização; 

• Recuperação da reputação e da confiança interna e externa.

Para termos um País melhor e digno, é preciso que cada um de nós seja responsável, fazendo escolhas corretas, pois a nossa situação é emergencial, não havendo mais espaço para populistas, aventureiros, corruptos, estelionatários eleitorais, mentirosos e covardes.

Infelizmente, chegamos ao ponto em que não podemos mais buscar “que País queremos”, mas “que País precisamos”.

O Brasil é a nossa tarefa!  

 

Este texto foi publicado originalmente no site da Fundação Nacional da Qualidade