Cidadania e protagonismo femininos

Por Roni Enara Rodrigues, diretora executiva do Sistema Observatório Social do Brasil

Ao longo da história da humanidade, entre a luta de classes e de gênero, muitas mulheres foram protagonistas de mudanças sociais, econômicas, políticas e religiosas. Mas não é desse enfoque que eu quero falar neste 8 de março. Quero falar do quanto o Brasil precisa de nós, cidadãs!

Desde a adolescência, participando do movimento de líderes cristãos e depois do movimento acadêmico e pastoral universitária, tive a oportunidade de vivenciar e compreender que cada um de nós, pela participação ou pela omissão, exerce um papel importante na construção das políticas públicas que devem reverter à população serviços de qualidade, financiados com a arrecadação de impostos que todo cidadão paga.

A compreensão de que política é assunto e lugar de mulher faz com que nos sintamos empoderadas diante da realidade brasileira. Mulheres são a maioria da população e responsáveis pela manutenção de quase 30 milhões(*) dos lares brasileiros. Um bom número de nós tem feito a diferença nas empresas, no governo e nas organizações do Terceiro Setor. Para lembrar de alguns nomes: Paula Bellizia, na vice-presidência da Microsoft na América Latina, a Procuradora Federal Paula Conti Thá, na coordenação da Força Tarefa da Lava Jato no Paraná e Dra. Zilda Arns Neumann, grande líder mundial na Pastoral da Criança.

E há tantas outras mulheres que, anonimamente, protagonizam mudanças e constroem uma nova realidade nas suas famílias, nas comunidades onde moram, nos empreendimentos em que trabalham. Podemos ampliar esse protagonismo no exercício da cidadania. É a minha proposta!

Todos os dias somos bombardeadas com notícias de corrupção e de ineficiência do setor público, situação que faz sofrer cidadãos nas filas do SUS, que mata pessoas nas estradas em péssimo estado, que deixa nossas crianças sem escolas e pais/mães sem emprego. E essa conjuntura, que nos faz uma população pobre e descrente, não se resolve com a indignação de sofá ou das redes sociais... somente a atitude consciente e determinada vai mudar o País!

Para que nossa contribuição seja efetiva na construção da justiça social, precisamos e podemos ocupar mais espaços de decisão, na associação de pais e mestres na escola dos filhos, na gestão do condomínio onde moramos, nos conselhos municipais da saúde ou da educação por exemplo; ou participando diretamente da política partidária, ocupando cargos públicos; ou ainda atuando em organizações de controle social como o Observatório Social do Brasil (OSB).

No OSB, somos quase de 3.500 homens e mulheres de bem, que amam o Brasil de verdade! Entre 2013 e 2017, ajudamos os municípios a economizar mais de R$ 3 bilhões só acompanhando as compras e outros gastos das prefeituras e câmaras. Carro de luxo que custava R$ 307 mil deixou de ser comprado por prefeito no interior do Paraná; crianças que passaram a fiscalizar a entrega da merenda em escolas de cidades catarinenses; obras de creches que estavam paralisadas foram concluídas; vereadores que gastavam mais diárias de viagens que os dias do mês reduziram seus gastos pela metade... inúmeros são os resultados do “olhar do cidadão” sobre a coisa pública, Brasil afora. Há cidadãos atuando em mais de 140 cidades em 16 Estados.

E não é só no OSB que existe espaço para a cidadania ativa. Há tantas outras organizações e formas legítimas de participar, cobrando transparência dos atos públicos, controle dos gastos e qualidade dos serviços. É nosso dever como cidadãs.

Ah! Falei para as mulheres, mas vale para os homens também! O exercício da cidadania não tem sexo, idade, classe social ou religião: tem protagonismo!

Não podemos nos deixar levar pela ideologia do antagonismo: mulheres contra os homens, negros contra os brancos, esquerda contra direita... só a união entre os cidadãos - e de maneira organizada - poderá garantir a justiça social e um País sem corrupção!

Aliás, este é um sonho que gostaria de compartilhar: colocarmos no mapa do Brasil o carimbo de “Área Livre de Corrupção”. Para isso, convido a participar do Pacto Pelo Brasil, onde cada cidadã, empresária, professora, estudante, artista, dona de casa se propõe a ser exemplo de área livre de corrupção e inspira mais pessoas. Escolas podem desenvolver programas de educação para a cidadania. Empresas podem e devem promover planos de integridade e prevenção à corrupção. Órgãos públicos têm o dever constitucional de garantir transparência, controles e eficiência na sua gestão.

Mulher e homem, a partir deste 8 de março, sonhem comigo: Brasil Área Livre de Corrupção! Tomemos juntos uma atitude: Pacto Pelo Brasil! Sejamos protagonistas na construção do País que queremos deixar como legado às futuras gerações.

 

*Revista Época Negócios, de 06/03/2018

 

RONI ENARA RODRIGUES - formada em Serviço Social, com especialização em Socioterapia, Practitioner em PNL e Coaching Sistêmico. É consultora organizacional, especializada em Gestão de Pessoas, Gestão da Qualidade e Produtividade e Gestão do Terceiro Setor. Atua como Diretora Executiva do Sistema Observatório Social do Brasil desde 2008, tendo sido uma de suas fundadoras.

 

Este texto é uma publicação do site da Fundação Nacional da Qualidade.

 

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