Saiba como levar acessibilidade para sua empresa

Segundo o censo do IBGE, cerca de 24% da população brasileira tem algum tipo de deficiência. São 45,6 milhões de pessoas que declararam ter dificuldade para enxergar, ouvir, caminhar, subir degraus ou que possuem deficiência mental / intelectual. Mas, apesar desse grande número, ainda há pouca inclusão na sociedade e a falta de acessibilidade não está apenas nos ambientes, mas também na comunicação e nas atitudes.

Para mudar essa realidade, foi criada a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI), também chamada de Estatuto da Pessoa com Deficiência. Ela tem como objetivo proporcionar a inclusão, para que todos tenham acesso aos mesmos direitos em condição de igualdade.

Isso significa que deve estar assegurado o direito de ir e vir em locais públicos e privados, acesso ao estudo, ao trabalho, a tecnologias e à comunicação (seja em sites, TV, livros, etc.). O artigo 34 diz respeito ao direito à atuação profissional e deixa clara a responsabilidade que as empresas têm em proporcionar condições de igualdade:

Art. 34. A pessoa com deficiência tem direito ao trabalho de sua livre escolha e aceitação, em ambiente acessível e inclusivo, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas.

§ 1° As pessoas jurídicas de direito público, privado ou de qualquer natureza são obrigadas a garantir ambientes de trabalho acessíveis e inclusivos.

§ 2° A pessoa com deficiência tem direito, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, a condições justas e favoráveis de trabalho, incluindo igual remuneração por trabalho de igual valor.

E para que tudo isso seja possível, ainda é necessário ultrapassar algumas barreiras que dificultam a acessibilidade. São elas:

  • Urbanísticas: obstáculos em vias públicas ou privadas.
  • Arquitetônicas: falta de acessibilidade em prédios públicos ou privados. 
  • Nos transportes: obstáculos nos meios de transporte público ou privado. 
  • Nas comunicações: dificuldade para acessar, receber ou emitir qualquer mensagem ou informação. 
  • Atitudinais: atitudes e comportamentos que atrapalham a participação da pessoa com deficiência na sociedade. 
  • Tecnológicas: obstáculos que impedem ou dificultam uma pessoa com deficiência de acessar qualquer tipo de tecnologia.

É preciso despertar a consciência

Mas para que a mudança possa acontecer, é preciso falar sobre acessibilidade e despertar o olhar das outras pessoas. Pensando nisso a FS EDUCA, em parceria com a John Richard Locação de Móveis, trouxe o tema para o debate no Espaço do Conhecimento, da 8ª Expo Facility Management. O painel contou com a participação de pessoas que estão fazendo a diferença na sociedade, em prol das pessoas com deficiência:

Nathalia Blagevitch, autora do blog Caminho Acessível, onde ela troca informações e experiências, em busca de um mundo melhor e inclusivo para todos. 

João Barguil, do Guiaderodas, um app que ajuda a encontrar os locais acessíveis e possibilita que o usuário avalie o local. Ele também certifica as empresas que têm boas práticas em acessibilidade. Baixe o Guiaderodas aqui.

João Vitor, da Handtalk. A empresa faz tradução digital e automática para a Língua Brasileira de Sinais (Libras), por meio do tradutor de sites e do app gratuito que transforma texto e áudio em Libras.

Edson Luiz Defendi, coordenador de Empregabilidade da Fundação Dorina Nowill para Cegos. Na ONG, a pessoa com deficiência visual tem a oportunidade de ser preparada para os desafios do mercado de trabalho. A organização também oferece assessoria à empresa contratante no processo de seleção, na indicação de recursos tecnológicos específicos e na sensibilização dos demais colaboradores sobre questões relacionadas à deficiência. Conheça mais aqui.

Prepare sua equipe para receber um profissional com deficiência

Adaptar o ambiente de trabalho para o funcionário com deficiência é fundamental, mas também é necessário incluir a acessibilidade na cultura da empresa e conscientizar os demais colaboradores. O Lanche às Cegas, realizado durante a Expo Facility é um exemplo disso.

Os participantes tiveram a oportunidade de vivenciar uma experiência sensorial, em que não puderam usar a visão e precisaram aguçar os outros sentidos. Eles puderam compreender melhor as limitações das pessoas com deficiência visual e como contribuir com elas no dia a dia.

Confira os depoimentos sobre a experiência 

 

 

 

“Temos que facilitar o acesso dos portadores de qualquer tipo de deficiência, pois nem todos podem contar com ajuda todo o tempo."

- Claudio B. Eleutério 

 

"Experiência enriquecedora. Sentir a necessidade da dependência de alguém, me fez olhar mais ainda para o próximo."

- Francine Doro

 

"Foi uma oportunidade sensorial de prestarmos atenção e analisarmos cada detalhe. Temos que estar focados no agora."

- Marcia Ribeiro

 

"Fiquei emocionada, nunca pensei que um sentido que para mim é 'comum' fizesse tanta falta em lugar da 'falta de visão'".

- Daniela Carpeski

 

"Achei que a experiência faz pensar nas dificuldades do próximo e pensar no que podemos fazer para ajudar / contribuir para essa sociedade que necessita da gente."

- Zelma Miranda

 

"É importante dar atenção às necessidades de cada um. Durante a experiência, o medo fez parte constantemente dos meus sentimentos e quando tudo silenciou, me senti abandonada e esquecida."

- Carla Assad

 

"Foi incrível o conhecimento adquirido. Todos devem passar por essa experiência uma vez na vida."

- Natália Lacerda

 

"Gostei muito e recomendo a todos. Tentarei replicar."

- Eliana Diaz

 

"Gostei de aprender como falar, descrever as ações que estou fazendo, ou descrever como é um objeto para que a pessoa com deficiência possa ter uma experiência tão boa quanto a minha."

- Thais de Sá 

 

"Despertou em mim a vontade de ajudar o próximo."

- Isaura Silva